Jan 23 2011

Vivemos esperando dias melhores…

“(…) dias de paz, dias a mais. Dias que não deixaremos para trás.”

Todo ano é a mesma coisa: de um lado, tem gente dizendo que pobre é uma coisa: vive dizendo que não tem nada, mas quando chove perde tudo. De outro, temos, todos os anos, uma infinidade de pessoas que morrem, que perdem parentes, a casa, os moveis, tudo que conquistou por causa da chuva. Eu já comentei isso antes aqui, eu vivo falando isso e eu me vejo obrigada a dizer de novo: é igual recuperação, todo ano tem.

Não faz muito o meu tipo vir aqui e protestar contra as autoridades (in)competentes que nunca fazem nada para consertar isso. De fato, é uma faca de dois gumes; de um lado, o governo não oferece casa, solução decente e segura pra esse povo, mas por outro, temos as pessoas que sabem o risco que aquele local representa, e mesmo assim, cientes, se arriscam. Eu fico impressionada com o loop infinito que é isso mas o máximo que posso fazer é enviar minhas doações – que eu, inclusive, me pergunto se são mesmo entregues às vítimas.

Tento me colocar no lugar dessas pessoas e me acho num lugar de incrível admiração pela força de, mesmo vendo tudo destruído, dormir num abrigo, receber e usar roupas de outras pessoas, comida enviada por outros e etc. e sair dali, olhar pra frente e pra toda uma vida a reconstruir. Foi pensando nisso que me lembrei do trecho da música que citei – Jota Quest, Dias melhores.

Toda vez que eu ouço essa música, é impossível não parar pra pensar na proposta de reflexão que ela traz. “Vivemos esperando o dia em que seremos para sempre”: tai o x da questão. Não seremos pra sempre. Estamos sempre tão ocupados trabalhando em prol da nossa felicidade, esperando o dia em que os nossos sonhos serão reais e tudo o que a gente sempre quis vai estar ali. É uma felicidade tão tangível, é como se pudéssemos tocá-la estendendo a mão. Não é real. Essa felicidade é uma utopia, e custa caro demais ate você crer, de fato, que ela não existe. Não pretendo soar depressiva, até porque o contexto é totalmente o contrário, mas é preciso experimentar um pouco disso pra entender. A felicidade é um estado de espírito, ela vem e, antes que você perceba ela já se foi. Não há quem seja feliz o tempo inteiro. Há sensações, e a felicidade, como todos os outros sentimentos, também tem limite.

No fim de tudo, há que se entender que o momento para ser feliz é agora. Engenheiros do Hawaii costumam dizer que “agora eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez.”. Obviamente que, a esta altura, o leitor já percebeu que eu não sou do tipo que aprova uma vida sem limites. Não é hipocrisia, não é filosofia de butequim; é só uma forma de viver a vida. Invariavelmente, você pode sair por ai querendo viver cada segundo como se fosse o ultimo. Você pode até fazer isso, mas não vá culpar um filme bobo por gastar suas fichas e perder algumas coisas que você gostaria de não ter perdido.

Tem alguns erros que a gente precisa cometer, porque só ouvir de alguém parece clichê demais pra ser verdade. Não quer dizer que você não deve sair e encher a cara, cometer algumas gafes e discutir com alguém, só pra variar. Mas é que errar sempre também não é a saída. Adiar qualquer sentimento não te faz bem, portanto, o que eu admiro nas vitimas de tragédias e o que eu aprendi com elas (e com mais um tanto de outras situações, inclusive a minha) é que o tempo de ser feliz agora. Ser feliz com o que se tem, com o que conquistou até agora. A esperança de dias melhores não deve, e nem pode, morrer; ela tem que existir pra te fazer seguindo em frente. Mas o bom de tudo, o que se tem mesmo, é agora. De resto, é só memórias e promessas. Ser feliz nesse minuto não te vai fazer gastar as fichas, a felicidade não é uma cota pela vida. You keep that.


Dec 21 2010

Dos novos vícios

Eu juro que já escrevi esse primeiro parágrafo 15 vezes pra tentar explicar o que tem a ver o fato de eu ter feito ballet antes de começar a jogar futebol e isso ter me feito gostar de música clássica e ter baixado algumas looongas sinfonias de Beethoven e, de tanto ouvir, decidi fazer cupcakes porque estava com a cabeça vazia e sabe o que dizem sobre cabeça vazia, né? Pois é, não ficou bem melhor não, mas agora vc já sabe que eu vou falar sobre minha aventura na cozinha. – Damn, eu já escrevi melhor que isso…

O fato é: cupcake virou modinha, como eu já disse algumas vááárias vezes. E se tá todo mundo fazendo, eu queria fazer também. É, eu viciei. E o pior, se tudo der errado, eu abro uma cupcakeria, que virar hippie não tá pra mim nem se for por decreto. Nada contra, obviamente. ;) Mas se querem saber a boa da verdade, o negócio é tão delicinha que vc faz uma vez e não quer mais parar. Fica pronto tão rapidinho e quase não dá trabalho, que dá vontade de fazer quase (notem, eu disse quase!) todo dia.

Já tinha bastante tempo que eu não exercia minhas habilidades na cozinha. Não sei se é porque eu não sou muito fã de comida salgada e sou uma formiguinha pra doce, mas eu faço o segundo divinamente enquanto enrolo bem meia boca o primeiro… Bom, o fato é que, modéstia a parte, eu até tirei de letra! Claro, com alguns acidentes de percurso… hehe, eu não fico sem eles :)

Primeiro, fui lendo ingrediente por ingrediente e misturando e.. Jesus! como esse negócio leva manteiga! Tentei reduzir um pouco porque o povo curtiu tanto que fiz várias vezes. Também acrescentei leite de coco e coloquei mais leite do que dizia na receita, achei que a massa tava ficando muito seca.

Minha mãe, que já não tava curtindo muito a idéia, me deu vááááários olhares beem tortos na cozinha quando me viu falando que ia mudar a receita. De verdade, ninguém tava botando muita fé que o negócio vingava, não. Mas eu tava disposta a arriscar, afinal, cozinha é isso mesmo, um dia a sua melhor receita dá errado e não tem nada no muundo que vai resolver – mas o segredo é sempre a marca do leite condensado… hahaha

Como eu disse antes, é lindo de fazer, quase não dá trabalho e fica pronto rapidinho. Tem alguns segredos, mas cozinha é pra quem quer mesmo. No fim, baguncinha boa e um bolinho delícia pra dividir. Ficou tão gostoso e bonito que me sugeriram fazer pra vender!

Nah, vender, não. Mas eu aceito encomendas :) Viram? Desafio aceito e cumprido. E pra quem duvidava, eu sou boa na cozinha sim!


Dec 14 2010

Das responsabilidades sociais

É natal! Adoooro essa época do ano e não me venham vocês com discursos inflamados sobre os porcos capitalistas ebla bla bla. Eu não vejo mal nenhum em aproveitar datas especiais pra dar presentes especiais e cheios de significados. Eu gosto de presentes fora de época e sem razão, mas acho que as pessoas têm que ter um bom motivo pra parar um pouco, sair da rotina, entrar num certo clima e se permitirem alguma pequena insensatez.

O fato é que todo mundo fica sensibilizado nessa época do ano e eu acho lindo, porque nós temos a mania petulante de voltar à nossa vidinha, àquela rotina de sempre e esquecer que faz só duas semanas que o Rio virou o caos. Mas eu nem quero vir aqui e dizer pra todo mundo que gasta, em média, 1,10min no meu blog que sejam generosos o ano inteiro. Isso é consciência de cada um. Só que ontem me aconteceu de presenciar uma situação meio comovente pra época do ano e eu não pude deixar de incomodar com isso.

Estava envolvida com as andanças de natal, naquela coisa louca de tickar listas com nomes, pra lembrar do presente de todo mundo e resolvi ajudar meu irmão a passar no Ministério do Trabalho pra pegar a Carteira de Trabalho dele. Aproveitei o passeio e dei o jeito de pegar a minha também, que já estava lá há mais de 2 anos pra pegar. Foi exatamente porque eu decidi pegar a minha – o que deve ter dado um trabalho do cão pro funcionário de lá, já que ele deve ter remexido arquivos e arquivos pra achar a minha – é que presenciei a cena.

Uma mocinha humilde, notável pela roupa e comportamento, aguardando no canto. De repente, a outra funcionária chama e lhe solicita a carteira de identidade, no que ela responde que não tem. Tá, até aí tudo bem, Ação Global taí pra isso, né, fifi?! Mas o comentário que eu captei logo em seguida desmoronou meu mundo: alguma coisa do tipo “é, eu também não sei se fui registrada, mas achei isso aqui na casa da minha mãe” e entregou uma certidão de nascimento tooda rasgada, velha e suja do bolso.

Não sei explicar direito o que foi que me comoveu… a garota não tinha mais do que 16 anos e já tinha uma aliança no dedo esquerdo, além de estar ali explicando em voz alta (o que me deu a sensação de extrema humilhação) a sua situação pobre e o fato de precisar de um emprego pra manter a família que mal tinha começado, pelo visto.

Esse blog aqui não me serve ao propósito de espalhar opiniões sérias, então nem quero entrar no mérito de quem é culpa pela situação da garota e nem nada. Achei que oferecer ajuda ali também poderia soar ofensivo e me contentei em sair dali pensando nisso. No fim, não cheguei a conclusão nenhuma, mas o clima de natal e as historinhas que tocam me deixaram comovidas e eu quis passar aqui pra dividir.

A verdade é que a gente só se lembra de que tem gente precisando quando nosso coração se abre para as datas que nos lembram de generosidade. E ai o tempo passa e a nossa memória é abalada pela rotina, como já disse… a gente se esquece. A gente se esquece que as pessoas pra quem doamos cestas-básicas no fim do ano, comem o ano inteiro! E aquelas pra quem doamos roupas no inverno também se vestem no verão. Eu sei que nem todo mundo pode sair por ai distribuindo comida aos pobres todos os dias, mas a consciência de cada um é o que conta e é isso que muda tudo. Desejo consciência pra vcs. E não só no natal, mas no ano inteiro!


Dec 9 2010

Das modinhas: de novo.

Já falei que deteeeesto modinhas, né?! Arrgh! É o terror de qualquer amante de seja-lá-o-que-for. Só que já dizia o @skankoficial, “… tudo tem três lados” e é sobre isso que eu quero falar (por falta de fotos e fatos pra contar what’s hot). Três lados é uma coisa interessante, olha só!

Se vc curte alguma coisa há muito tempo e é fiel àquilo, aquela coisa já faz parte de vc, serve como um identificador da sua personalidade e todo mundo aponta, mas um dia aquilo fica ON e de repente tá tooodo mundo usando. Eis o lado 1: o lado de quem já conhecia e fica fulaninho da vida quando aquilo que te fazia ser vc mesmo, original, virou clichê e, o pior, virou motivo de piadinha social.

Só que aí entra a outra cara da moeda: lado 2. O lado de quem se presta a seguir a modinha. Fifis, queridos, calça colorida era hot há 20 anos atrás! Agora só serve pra te taxar de Restart +o( – dispensa explicações sobre o ridículo e o respectivo cúmulo. Ok, desabafo de lado, meu ponto é: seja o que for, seja original! (Guaraná-feelings, oi!) Tudo tem prazo de duração, até a moda. Se vc for usar calças coloridas e apertadas até se casar e virar alguém socialmente compatível com os padrões, então ok, mas se daqui a duas mid-seasons vc já tá usando ooutra coisa, vc tem um sério problema de personalidade. A questão não é a impossibilidade de mudar, afinal, a moda muda e todos nós voltaremos a usar ombreiras – alguns de nós, não (ainda bem ;) ), o que quero dizer é que VOCÊ tem que estar em algum lugar das calças coloridas, nem que seja na forma de fazer as unhas ou pintar o rosto. Copiar seu ídolo é legal – afinal, não é atoa que o cara é seu ídolo -, mas alguma coisa de seu tem que ficar ali, seja um gosto musical estranho e eclético (mãe de quem? o.O ) ou um cordãozinho que sua avó te deixou.

Já parou pra pensar que não fossem seus amigos começarem a cantarolar Raimundos na 4a série, vc jamais teria conhecido a banda em seus tempos de ouro? E que se todo mundo não falasse em Pedro e Júlia, vc não teria se matado de rir com o Mocotó em Malhação? O fato é que a modinha tem um lado bom que nem todo mundo vê: o lado 3. O lado de quem só teve a oportunidade de conhecer alguma coisa porque era, de fato, modinha.

Pra mim, tem muita modinha por aí que me irrita: açaí – que antes de academia ser coisa de todo mundo, era ruim pra caramba! E tatoo? Antes era coisa de marinheiro e vagabundo, agora tem cada desastre que nem Jesus suporta. E o cupcake? Ah, o cupcake é o motivo desse post gigante, ofensivo e cheeeio de opinião inconveniente.

O cupcake

Existem dois motivos pro nome cupcake. Uns dizem que é porque ele é preparado em forminhas (que mais parecem copinhos) individuais. Outros dizem que é por causa das medidas, que antes eram em copos (1 copo daquilo, outro copo disso, bla bla bla).

Eu conheci o tal do bolinho-de-copo no curso de inglês, estudando na prática, a culinária americana. Foi a mesma sensação com o Brownie , magic bars e os cookies: tudo delícia! Mas aí me veio essa modinha de blog fashionista e ai o danado do bichinho virou estampa e a estampa foi parar nos hot-points mais cool das cidades. Falta do que fazer, criatividade e paciência + habilidade com serviços manuais e lá estava eu, na Maria Chocolate :D  (loja de BH) comprando tuuudo pra fazer meus cupcakes.

É… até que dava uma história boa, mas ainda não tive tempo pra colocar o plano em prática, então fica pro próximo post a aventura. :)


Nov 30 2010

Quando o cool não é tão cool

Estávamos hoje, eu e minhas fifis( :) ), empolgadíííííssimas pra ver o filme da Bruna Surfistinha. Trailler vai, papo vem, me pego pensando novamente numa opinião antiga. Eu, mais do que ninguém, amo uma “aguinha com açúcar” e não é pelo que vou escrever aqui que deixarei de ver meus filminhos preferidos. Isso dá post, olha só:

Tudo que a gente vê influencia, de alguma forma nossas vidas. Portanto, isso também é válido para as novelas e filmes que você assiste, para os livros que lê e assim por diante. Mas até que ponto vai essa influencia?

Nesse ponto, a própria Bruna Surfistinha me serve de exemplo: ela foi uma em um mundo inteiro! Fazer programa não é tão fácil quanto o trailler tentou fazer parecer. Muito provavelmente, 90% dos clientes são caras que você, com certeza, jamais gostaria de trocar um sorriso, imaginem chegar as vias, de fato. E vamos contar mais: não é uma profissão regulamentada no Brasil, não há garantias legais e muito provavelmente também não há garantia nem de segurança. Alem de tudo isso, ainda há que se considerar o desprezo da sociedade; a única pessoa que sai por ai achando graça em falar pra desconhecidos que faz programa sou eu, mas nem sempre eu me saio bem nessa… shame on me! Pessoas, polpem-me, não vai tocar “pretty woman” se você resolver fazer isso da vida, tá?

Permitam-me ir mais alem: desde quando é cool ter filho na adolescência? Desde Juno! Achei o filme muito fofinho, ainda sou viciada na trilha sonora até hoje, mas vamos ser realistas? Não é legal. Não é tão fácil assim. No filme, a personagem lidou muito fácil com as transformações, não quis nem ver seu bebê e a vida dela seguiu linda e promissora, além de ela ter ganho, e quebra, um amor pra vida toda. Levanta a mao ai quem achou fácil engravidar na adolescência! Nem estou questionando se quem o fez achou que valeu a pena, tudo começa a valer a pena no momento em que você decide que quer.

Sendo mais genérica, as comédias românticas(minhas favoritas de todos os tempos), em geral,  fazem todo mundo feliz, mas também são ilusórias. Qualquer broken heart sai de um filme desses achando que ainda vai viver um grande amor de sua vida, e que ele vai dar um filme. Eu não quero ser estraga prazeres, nem pessimista. Se você viver um grande amor e a historia até der um filme legal, fico suuper feliz com você, mas nem sempre é assim. Eu posso até soar um pouco desesperançosa falando assim, mas poupa muita gente do consultório dos analistas se você simplesmente se sentisse feliz e completa consigo mesma em vez de entregar sua felicidade na dependência de um príncipe encantado, que acreditem, não existe! ELE pode até chegar beeem perto, mas tem defeitos também. Eu acho mesmo que o casamento depende do relacionamento, das duas pessoas envolvidas, e não do que a sociedade julga certo ou conveniente, mas muita gente se casa porque ta na idade, mesmo não sendo com uma pessoa legal. Mas isso já é assunto pra outro post…

O que eu queria dizer, em suma, é que o mundo que mostram na TV, na telinha do cinema, é ilusório, é falso e muuito dificilmente vai acontecer com você. Não fique esperando por isso. O seu filme começa todos os dias de manhã, quando você cai da cama. preocupe-se em fazer esse filme lega, em vez de ficar esperando que um diretor venha te sugerir uma cena ;)


Oct 25 2010

Carência virtual

Eu lido com tecnologia o tempo todo. Eu estudo a tecnologia e  já posso ser chamada de profissional de tecnologia da informação. Mas isso não me exclui o direito de me assustar (ainda) com o efeito dessa montanha russa maluca que é esse meio. Por todos os lados a gente vê a evolução chegando; não se paga mais ônibus, usamos cartão que tem crédito “virtual”; você compra ingressos do cinema pela internet, escolhe produtos pelo site e, não raro, só vai na loja para ver como fica, já que você vai mesmo é pedir pela internet ou praquele seu amigo que está indo visitar outro país. A sensação que eu tenho é que somos todos crianças desamparadas, para quem o amadurecimento chegou rápido demais e ficamos aqui, esperando alguém passar as mãos em nossas cabeças e dizer ” shh, vai ficar tudo bem…”

Não pretendo entrar no quesito ‘de quem é a culpa’, mas muitas vezes não posso evitar notar que as coisas começam a ficar distorcidas a um certo ponto. Semana passada me irritei a ponto de alterar o volume da voz, eu me exaltei de verdade com a lista de discussão da turma de faculdade. O intuito da lista é ajudarmos uns aos outros com assuntos de interesse comum, que não poderia ser menos óbvio: o curso. Entretanto, pela segunda vez em uma semana apenas, um dos colegas enviou e-mail relatando problemas pessoais. Caramba, colega, sua mãe não lhe ensinou a se preservar, a cuidar bem da sua privacidade e não abrir mão de seus assuntos íntimos?

Eu achava que essa questão de privacidade era coisa que as pessoas estariam dispostas a abrir mão por alguma coisa que valesse a pena – vide BBB. Mas o fifi, pelo visto, não pensou duas vezes ao enviar para a lista, um e-mail lotado de seus aborrecimentos diários com o trabalho, suas frustrações e visões pessoais da própria vida, compartilhando com qualquer um que aquela lista pudesse alcançar – nesse momento, inclusive você, caro leitor.

Então vamos lá, se o cidadão se sentiu ok em participar assim seus problemas pessoais, opção dele. Embora eu discorde veementemente disso, analisei o caso de forma mais profunda. Até que ponto chegamos com essa tecnologia? Ora, se eu tenho um problema, certamente que não desconto no twitter, muito menos venho a este blog relatar meu aborrecimento – exceto  quando acho que seria de utilidade pública, principalmente dos meus leitores, que um assunto fosse comentado. Quer dizer, o  blog é meu, se alguém não gosta do que eu escrevo, tem  um pequeno e vermelho x ao seu lado direito superior da tela – isso se você estiver usando o Windows. Para outros sistemas operacionais, você é esperto o bastante para fechar a janela ;)

O fato é: se alguém chega ao limite de participar sua intimidade de tal forma com todos da lista, eu sou obrigada a me perguntar: onde estão seus amigos, querido? Seus pais, seus irmãos, primos, tios… enfim, até mesmo o tal RH da sua empresa? Claro que os emails não poderiam ter terminado de forma diferente: muitas coisas desnecessárias foram ditas, muitas críticas duras e dispensáveis, além, é claro, de piadinhas de mal gosto e, no fim, eu vi pouquíssimas opiniões que, de fato, poderiam contribuir para o colega. É nesse ponto que eu volto a me perguntar se este colega é só mais um “órfão” da tecnologia, um garoto que gostou de computador desde cedo e resolveu se enfiar nesse mundo de poucos contatos sociais, abrindo mão da própria privacidade para não se sentir sozinho?

Não posso ignorar a lógica no raciocínio dele: se tenho problemas com minha profissão, vou conversar com alguém da área… Mas não é assim, né, gente? Nos últimos 3 meses eu passei pelos mesmos tipos de problemas, troquei de emprego, conversei infinito com váááários amigos, alguns da área, outros que apenas me conheciam bem demais e por isso nem precisavam conhecer o meu mercado. No fim, hoje eu estou satisfeita com as escolhas que tomei e nem por isso me expus em público, não ouvi coisas desnecessárias e nem virei piada.

Disso tudo, o ponto principal é: ou a gente cria hábitos de interação humana que satisfaçam nossas necessidades de socialização, ou estaremos fadados ao contato virtual que não supre uma carência básica e tão óbvia. Pessoas carentes (carência afetiva, entendam) acabam por tomar atitudes um tanto quanto excêntricas, que apenas demonstram sua necessidade de atenção, abrindo mão, com isso de algumas coisas essenciais, tais como a própria privacidade, relatada aqui.

Apenas um adendo: eu prometo a vocês que se essa pessoa mandar mais  um e-mail desse tipo para a lista, eu juro que vou mandá-lo escrever um blog para desabafar. Ou procurar um piscólogo. É sério! E ainda faço questão de publicar neste blog.


Sep 17 2010

Too too fast!

Estava eu, agora há pouco, em minhas leituras básicas diárias quando me deparo com um post bem realista, lá no Sweetest Person e, além de me fazer refletir, ainda me fez agradecer por finalmente ver que ainda existe sensatez no mundo, mesmo que seja espalhada aos pequenos pedaços em cada canto.

O texto fala sobre uma coisa que eu ando reparando há um bom tempo já: a velocidade das mudanças. Bem encaixada no meu contexto, é fato que antes mesmo que vc consiga estragar um par de sapatos de tanto usar, ele já saiu de moda e vc já está apaixonada por outro. Isso se vc não é como eu, que provavelmente já comprou outro e aquele ficou esquecido no tanto do armário.

Agora é tudo rápido. Tudo é pra ontem, tudo passa e a gente acaba por não perceber que a única coisa que fica mesmo, somos nós. E vamos ficando sem marcas, nos entregando ao que é tendência. Eu quase esqueci minha opinião geral sobre moda: não é porque tá na moda que vc tem que usar; a moda de verdade é a que fica boa em vc. Há coisas que a moda pode até mudar, mas nós não mudamos assim, tão fácil, e acabamos deixando aquelas pequenas coisinhas que nos fazem ser únicos e especiais pra trás.

Por isso eu parei um pouco. Dei um tempo nas compras, deixei a pressa de lado. Pode ser que a vida não me espere, mas antes pouco tempo bem aproveitado do que muito tempo pra gastar com nada. Mais um ano vai se encaminhando para o fim e mais uma vez estou eu aqui contanto das escolhas que fiz. Ano passado eu decidi que o que eu vendo é o meu conhecimento, não meu corpo; esse ano eu decidi que o meu conhecimento me custou caro, logo, ele deve custar caro para os outros também. Ano passado eu escolhi ser uma mulher no meio de tantos homens; esse ano eu escolhi que mulher eu quero ser e vi que isso me faz bem demais.

Acho que no fundo, eu finalmente aprendi que a vida é como dirigir um carro na estrada: quando tudo é reto, vc acelera, mas se tem curva, vc tem que reduzir antes pra depois acelerar. Reduzir inclui muitos riscos, mas a vida não pode ser uma curva sem fim, uma hora é tempo de acelerar de novo.

Eu espero mesmo que as pessoas reduzam um pouco antes de entrar na curva, porque do contrário, é impossível manter o controle. Boa reduzida pra vcs, fifis!


Aug 17 2010

You put on high heels…

… and you change.

Beautiful Summer Themed Pictures – DesignzzzUma vez eu disse um monte de coisa no Orkut sobre estar descabelada. Long story short, dizia que as coisas boas da vida descabelam e eu não pude fazer menos do que concordar e adotar aquilo pra minha vida. Eu não tenho problema nenhum em admitir que só penteio o cabelo no dia em que lavo – cabelo grande demais, gasta tempo pra lavar, dá trabalho pra ficar no lugar, mesmo sendo liso – mas a verdade é que tem coisa melhor na vida pra se preocupar e foi isso que eu percebi.

Tanta coisa todo dia… Sempre um compromisso, uma reunião, telefonemas chatos, situações estressantes; o fim de semana chega e tudo que eu queria era dormir e dormir. Foi só parar um pouquinho pra perceber que eu já aprendi essa lição antes. Não se pode deixar os dias passarem por você; é você que tem que passar por eles.

Eu andava sem brilho, sem vontade de sair, com medo de deixar as pessoas se aproximarem demais… E mais uma vez minha paixão por sapatos me deu um belo de um puxão de orelha. É tudo uma questão de como você encara a vida. Às vezes o cansaço bate, vem o desanimo, mas não se pode deixar abater. Não que se deva deixar de lado o limite do seu corpo, os cuidados de sempre e, muito menos, o juízo (ok, talvez devesse algumas vezes).

A questão é: podem até exigir de mim que eu esteja sempre organizada, que eu me alimente bem, que seja educada, fale baixo e seja generosa. Mas o meu cabelo continua desarrumado no fim do dia.

Você coloca salto alto e muda. Agora todas as vezes que a descrença vem me cutucar eu procuro meu maior salto e vou me descabelar com minha musica preferida.

philosophical ramblings.

Aliás, falando de salto alto (como não podia deixar de ser), eu andei procurando uns saltinhos novos por ai, afinal a coleção de verão já esta chegando todas as lojas e sites. Gente, tanta coisa nova e linda que eu não agüentei! Ah, se eu fosse um pouquinho mais descabelada, eu atacava de Becky Bloom de novo e comprava todos.

Eu juro que bate um apertinho no peito toda vez que eu olho pra esse monte de belezuras e tenho que me conter. Aguardem! Fim do mês ta chegando, hein?! Hahahaha

Mas me contem, fifis, qual é o salto alto de vcs??

O beijo!


Aug 9 2010

“A lie told often enough becomes the truth”

Lenin

Existe uma grande diferença entre a mentira e a omissão. Existe uma grande diferença entre a ofensa e a verdade nua e crua. E existe uma linda alternativa que se resume a dizer as coisas com cuidado. Se fosse necessário responder que eu minto, eu diria com naturalidade que sim - raras, mas necessárias vezes. Se alguém me disser que não mente, eu não acredito.

Uma mentirinha simples não faz mal a ninguém, afinal, é fato que algumas coisas não precisam e nem devem ser reveladas. Mas é ai que entra o bom senso e essa definitivamente não é uma qualidade pra muitos. Sinceramente, se vc não sabe mentir, então deve haver outra alternativa.

Foi pensando em não querer mentir e nem querer dizer a verdade que parei pra pensar sobre isso. Aliás, eu, que sou a rainha do ‘subentendido’ sempre tenho meu jeitinho de dizer as coisas de uma forma diferente. Eu realmente acho que sair por ai dizendo a verdade do jeito que deu na telha nãovai conquistar ninguém; muito pelo contrário, só vai te fazer conquistar uns belos desafetos e mágoas desnecessárias. A não ser, é claro, que vc seja um comediante de stand up, que fazem disso uma máscara, porque eu duvido, honestamente, que eles saem dizendo aquilo pra namorada, mãe ou chefe .

Não que a verdade doa, mas as coisas podem ser simplificadas com um pouquinho de sensibilidade. Eu não tenho coragem, confesso, de dizer a uma amiga que a roupa dela não ficou legal. Mas eu penso rápido e sugiro outra roupa, dizendo que ‘ah, aquela outra fica melhor em vc!”. Obviamente ficamos subentendidas que aquilo ali não tá legal. Assim pra todo o resto; não precisamos mentir, mas também não precisamos deixar o colega desconfortável com sua sinceridade desagradável.

Aliás, falando em sinceridade, eu preciso mandar assim, na cara, que eu estou apaixonadíssima por essa coleção de primavera-verão 2010-2011. Só coisa linda, gente!

Adorei a vibe super floral dessa nova estação e voltei a sorrir colorido, já que andava lamentando a sobriedade das cores do inverno (inevitável). A parte boa é que apesar dos saltíssimos continuarem super ON (adooro! :) ), as sapatilhas que são o amor da minha vida e o conforto dos meus pezinhos não perderam nem uma numeração de espaço!

A parte ruim é que, depois de um ataque Becky Bloom nos últimos meses, meu cartão de crédito está estourado – pra variar… E essas belezuras vão demorar umas semanas pra virem morar aqui em casa. Mas tudo bem, é bom que dá pra curtir a lua-de-mel com minha queda do inverno:

Eu nunca resisto, né gente? hahaha Mas contem-me de vcs. E aí, bom senso, mentira ou… hã? Tá falando comigo?

O beijo!


Jul 28 2010

O trem das 7:12

O trem das 7:12 é o trem da rotina. O que eles pegam todos os dias. É o trem de desabafos; o trem das 7:12 ouve de tudo.

Olhos cansados, falta de equilíbrio. O trem das 7:12 é a companhia da mulher que chorava num banco verde, o consolo do banco ao lado, trazido por um estranho, passageiro do trem das 7:12.

Também ali jornais. Tantas tragédias logo pela manhã, quantas opiniões ali. Um mundo de histórias viajando no trem das 7:12. Quantos livros abertos e histórias reais esquecidas, misturadas a fantasias… Quantos sonhos já viajaram no trem das 7:12?

Também eu viajo no trem das 7:12. Todos os dias. Maquiada de coragem, o coração palpitando em tudo como sempre. O trem das 7:12 chega todos os dias naquela estação e carrega a construção dos meus sonhos. O trem das 7:12 é o que eu procurei pra mim. O mais lotado, o mais cansado… Olhos curiosos me observam, olhos cansados, olhos vermelhos… Os mesmos olhos de sempre, sempre no trem das 7:12.

O trem que nunca pára, um dia chega na estação. Eu desço. Eu tiro minha esperança do trem das 7:12, levo-a comigo, que não deixo ela em nenhum outro lugar senão dentro de mim. Tantas outras esperanças também descem daquele trem. Talvez para alguns, seja mesmo falta de esperança, descrença de um dia novinho em folha se abrindo bem ali, na estação.

Mas a vida não pára, a estação não pára. Assim também, o trem das 7:12 nunca pára. Lá se vai. Em algumas horas eu voltarei ao trem, o colocarei minha esperança, meu cansaço e meu desgaste dentro do trem novamente, mas o dia estará no fim, já terei construído minha proporção do sonho. E o trem que me leva para casa não é o trem das 7:12, mas ele se despede de mim na estação, avisando que amanhã, às 7:12, ele estará lá.


Tenho andado de metrô todos esses dias e olhar pra tanta gente no trem me faz pensar em coisas incríveis durante os minutos que eu passo de pé, apertada, espremida e esmagada. Tanta coisa ali, gente! Tanta idéia me ocorre… tantos pensamentos e olhos que me vasculham, perguntando quem eu sou, aonde vou e o que vou fazer lá.  Obviamente eu não me contenho…

http://twitter.com/rodrigoerocha

Foto por @rodrigoerocha