Vivemos esperando dias melhores…
“(…) dias de paz, dias a mais. Dias que não deixaremos para trás.”
Todo ano é a mesma coisa: de um lado, tem gente dizendo que pobre é uma coisa: vive dizendo que não tem nada, mas quando chove perde tudo. De outro, temos, todos os anos, uma infinidade de pessoas que morrem, que perdem parentes, a casa, os moveis, tudo que conquistou por causa da chuva. Eu já comentei isso antes aqui, eu vivo falando isso e eu me vejo obrigada a dizer de novo: é igual recuperação, todo ano tem.
Não faz muito o meu tipo vir aqui e protestar contra as autoridades (in)competentes que nunca fazem nada para consertar isso. De fato, é uma faca de dois gumes; de um lado, o governo não oferece casa, solução decente e segura pra esse povo, mas por outro, temos as pessoas que sabem o risco que aquele local representa, e mesmo assim, cientes, se arriscam. Eu fico impressionada com o loop infinito que é isso mas o máximo que posso fazer é enviar minhas doações – que eu, inclusive, me pergunto se são mesmo entregues às vítimas.
Tento me colocar no lugar dessas pessoas e me acho num lugar de incrível admiração pela força de, mesmo vendo tudo destruído, dormir num abrigo, receber e usar roupas de outras pessoas, comida enviada por outros e etc. e sair dali, olhar pra frente e pra toda uma vida a reconstruir. Foi pensando nisso que me lembrei do trecho da música que citei – Jota Quest, Dias melhores.
Toda vez que eu ouço essa música, é impossível não parar pra pensar na proposta de reflexão que ela traz. “Vivemos esperando o dia em que seremos para sempre”: tai o x da questão. Não seremos pra sempre. Estamos sempre tão ocupados trabalhando em prol da nossa felicidade, esperando o dia em que os nossos sonhos serão reais e tudo o que a gente sempre quis vai estar ali. É uma felicidade tão tangível, é como se pudéssemos tocá-la estendendo a mão. Não é real. Essa felicidade é uma utopia, e custa caro demais ate você crer, de fato, que ela não existe. Não pretendo soar depressiva, até porque o contexto é totalmente o contrário, mas é preciso experimentar um pouco disso pra entender. A felicidade é um estado de espírito, ela vem e, antes que você perceba ela já se foi. Não há quem seja feliz o tempo inteiro. Há sensações, e a felicidade, como todos os outros sentimentos, também tem limite.
No fim de tudo, há que se entender que o momento para ser feliz é agora. Engenheiros do Hawaii costumam dizer que “agora eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez.”. Obviamente que, a esta altura, o leitor já percebeu que eu não sou do tipo que aprova uma vida sem limites. Não é hipocrisia, não é filosofia de butequim; é só uma forma de viver a vida. Invariavelmente, você pode sair por ai querendo viver cada segundo como se fosse o ultimo. Você pode até fazer isso, mas não vá culpar um filme bobo por gastar suas fichas e perder algumas coisas que você gostaria de não ter perdido.
Tem alguns erros que a gente precisa cometer, porque só ouvir de alguém parece clichê demais pra ser verdade. Não quer dizer que você não deve sair e encher a cara, cometer algumas gafes e discutir com alguém, só pra variar. Mas é que errar sempre também não é a saída. Adiar qualquer sentimento não te faz bem, portanto, o que eu admiro nas vitimas de tragédias e o que eu aprendi com elas (e com mais um tanto de outras situações, inclusive a minha) é que o tempo de ser feliz agora. Ser feliz com o que se tem, com o que conquistou até agora. A esperança de dias melhores não deve, e nem pode, morrer; ela tem que existir pra te fazer seguindo em frente. Mas o bom de tudo, o que se tem mesmo, é agora. De resto, é só memórias e promessas. Ser feliz nesse minuto não te vai fazer gastar as fichas, a felicidade não é uma cota pela vida. You keep that.




















